
#3430 de setembro de 2021 · 1h33min
Fernando Ulrich — Head de Educação na Liberta Investimentos, mestre em economia pela escola austríaca, conselheiro do Instituto Mises Brasil e autor de 'Bitcoin: A Moeda na Era Digital'
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Bitcoin: a moeda na era digital
citado por Bruno Perini
1:02Quarenta Séculos de Controles de Preços e Salários
citado por Fernando Ulrich
26:48O Que o Governo Fez com o Nosso Dinheiro
citado por Bruno Perini
59:07A Desestatização do Dinheiro
citado por Bruno Perini
59:29Inflação não é o aumento dos preços — é a perda do poder de compra do dinheiro causada pela expansão monetária; identificar a causa correta é o que determina se você vai culpar o comerciante ou o governo.
Calcule sua inflação pessoal: pegue a composição do IPCA e marque quantos daqueles itens você realmente consome todo mês — e depois aloque parte do patrimônio em ativos que protegem poder de compra (Tesouro IPCA, moeda forte, ativos reais).
No 34º episódio do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o economista Fernando Ulrich para explicar o que é inflação de verdade: não o aumento generalizado de preços, mas a expansão da oferta monetária — dinheiro e crédito em circulação. Ulrich argumenta que o aumento de preços é apenas o sintoma, e que identificar corretamente o culpado (o governo, detentor do monopólio da emissão de moeda) muda completamente as soluções propostas, em vez de culpar o 'comerciante inescrupuloso'. A conversa percorre a história monetária brasileira — dos mil-réis ao real, passando por 40 anos seguidos de inflação de dois dígitos, o Plano Cruzado, o boi escondido no pasto, o traficante de chocolate e o confisco do Plano Collor. Ulrich também explica por que controle de preços sempre falha (gera aumento de demanda e queda da oferta simultaneamente), cita o édito de Diocleciano no Império Romano e mostra moedas antigas de ouro e prata para ilustrar como governos sempre adulteraram a moeda. No fim, discutem o 'legado cultural da inflação' — a compra do mês, a mentalidade de curto prazo, o baixo nível de poupança do brasileiro e a desarmonia social que demoniza o empresário — e as formas de proteção: Tesouro IPCA, moeda estrangeira, ativos reais, ações de boas empresas, ouro, Bitcoin e dinheiro em outras jurisdições.
“Não é tudo que está mais caro, é o real que está muito mais barato. É ele que está valendo cada vez menos e por isso que os preços dos produtos estão aumentando.”
“A terceira forma, quase indolor no começo, é essa de criar mais dinheiro. É o imposto oculto, porque é muito difícil identificar, as pessoas não entendem que a inflação acaba sendo um imposto.”
“Controle de preços acaba causando duas forças contrárias brutais: um aumento de demanda e uma redução na oferta.”
“Olhando a história brasileira, o real parece mais um acidente histórico do que algo muito bem planejado.”
“Quem é mais prejudicado pela inflação é justamente aquela pessoa que menos compreende como funciona o fenômeno, e acha que está sendo beneficiada.”
“A taxa de inflação pode diminuir, mas o dinheiro não vai voltar a comprar o que ele comprava dois anos atrás. Ele perdeu esse poder de compra e já era, não volta jamais.”