
#7905 de julho de 2022 · 1h52min
Marcos Pontes — Engenheiro aeronáutico, astronauta e primeiro brasileiro a ir ao espaço, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações
Sérgio Sacani — Geofísico pela USP, criador do canal Space Today e host do podcast Ciência Sem Fim
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Fundação
citado por Bruno Perini
13:2221 Lições para o Século 21
citado por Bruno Perini
55:48A Ciência por Trás de Interestelar
citado por Sérgio Sacani
1:00:08
Cosmos
citado por Bruno Perini
1:16:20Investir em ciência e tecnologia não é luxo de país rico nem desperdício diante da fome: é o gasto estratégico que, como o percentual que você separa do salário antes de viver com o resto, determina toda a qualidade de vida futura.
Pesquise hoje uma tecnologia que você usa diariamente (GPS, câmera do celular, previsão do tempo) e descubra em nasa.gov/spinoffs como ela veio da exploração espacial — e use isso para explicar a alguém por que investir em ciência não é dinheiro jogado fora.
No episódio #79 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ir ao espaço e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, e Sérgio Sacani, geofísico e criador do canal Space Today, para discutir a nova corrida espacial. A conversa começa explicando as diferenças entre voos suborbitais e orbitais, o estágio atual das empresas privadas (SpaceX, Blue Origin, Virgin) e por que a SpaceX está anos à frente das concorrentes, inclusive na tecnologia de foguetes reutilizáveis — que não é só estética, mas essencial para pousos seguros em outros planetas. O núcleo do episódio é o 'por que voltar à Lua': a descoberta de gelo de água (que vira combustível de foguete) e do Hélio 3, considerado a energia limpa do futuro por fusão nuclear, com a China já tendo mapeado jazidas lunares. Marcos Pontes detalha os limites do corpo humano em viagens longas — radiação, perda de densidade óssea, alterações hormonais e imunológicas (ele próprio ficou praticamente surdo dos dois ouvidos) — e o caso dos gêmeos Scott e Mark Kelly, cujo DNA se alterou após um ano no espaço. Na segunda metade, o papo passa pela física do filme Interestelar (com a consultoria de Kip Thorne), relatividade, buracos de minhoca, a comprovação da teoria de Einstein em Sobral (CE), a probabilidade de vida extraterrestre segundo a Equação de Drake e o paradoxo de Fermi, os relatórios da Marinha americana sobre FANIs, e a defesa do investimento em ciência básica como gasto estratégico — com Pontes apresentando um cálculo de xenotransplante de rins que economizaria bilhões ao SUS.
“O corpo humano é o nosso limitante de tudo. Eu consigo colocar um elemento robótico, uma espaçonave, em situações complexas, posso botar até perto do Sol. O ser humano é muito delicado.”
“Eu sou praticamente surdo nos dois ouvidos, uso aparelho nos dois ouvidos, porque o meu corpo começou a atacar a parede desse canal achando que tem algum tipo de infecção.”
“Você já pagou algum centavo pelo GPS que se usa hoje em dia? Ninguém paga. E você usa o GPS, que é um satélite lá no espaço.”
“A ciência não pode se fechar e falar assim: olha, isso aqui eu só acredito nisso, qualquer coisa que eu não acredito eu rejeito. A ciência vira dogma, vira religião.”
“Eu não acredito, mas vá buscar, vá atrás, vá estudar, cara, eu dou todo apoio.”
“O conhecido é finito, o desconhecido infinito. Intelectualmente estamos numa ilhota no meio de um oceano ilimitado de inexplicabilidade. Nossa função em cada geração é reivindicar um pouco mais de terra firme.”