
#8717 de agosto de 2022 · 2h00min
Sara Delfim — Empreendedora, economista e sócia-fundadora da Dahlia Capital, com mais de 20 anos de experiência em mercado e análise de empresas
José Rocha — Engenheiro mecânico-aeronáutico pelo ITA e sócio-fundador da Dahlia Capital, com mais de 20 anos de experiência em renda fixa e ações
Murilo Freiberger — Membro do time de gestão da Dahlia Capital, com quase 20 anos de mercado financeiro e passagens por Bank of America Merrill Lynch, Barclays e HSBC
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Investindo em Ações no Longo Prazo
citado por Murilo Freiberger
21:15Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
25:13Prisioneiros da Geografia
citado por Bruno Perini
26:47
A Lógica do Cisne Negro
citado por Bruno Perini
1:03:56Antes de escolher a melhor empresa, escolha o melhor país: geografia, instituições, tecnologia e demografia são forças estruturais que, em 50 anos, atropelam qualquer análise micro brilhante.
Faça o exercício de desacelerar e olhar ao seu redor: liste as marcas do seu celular, computador, sistema operacional e redes sociais — e avalie quanto do seu patrimônio está exposto aos países que realmente produzem o que você consome.
No episódio #87 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem Sara Delfim, José Rocha e Murilo Freiberger, da gestora Dahlia Capital, para destrinchar a tese da Pax Americana — a ideia de que os Estados Unidos seguirão como potência dominante nas próximas décadas. Os gestores apresentam os quatro pilares do estudo da casa: geografia (acesso aos dois oceanos, vizinhos amigáveis, maior malha de rios navegáveis, autossuficiência energética e liderança em exportação de comida), instituições (constituição mais antiga em vigor, descentralização, colonização protestante que valorizava livre iniciativa e alfabetização, e as instituições de Bretton Woods que deram ao dólar o 'privilégio exorbitante'), tecnologia (liderança em P&D, inteligência artificial, lei de Moore e vacinas de RNA) e demografia (país jovem, com imigração que atrai as melhores cabeças do mundo, enquanto China e Europa encolhem). A conversa compara Estados Unidos, China e Brasil. Os convidados argumentam que a China, apesar dos avanços extraordinários desde a abertura dos anos 1970, enfrenta desafios maiores: dependência de importação de comida e energia, política de Covid zero, e um encolhimento demográfico acelerado pela política do filho único antes de ficar rica. O Brasil é avaliado como geograficamente privilegiado em termos absolutos, mas com desafios previdenciários e de produtividade. Na parte de investimentos, a Dahlia revela estar hoje mais alocada em ativos brasileiros, pelo valuation nos menores níveis em 25 anos — abaixo de 2002 e de 2008 — com empresas mais fortes e pagando dividendos altos, destacando o setor elétrico e Petrobras. Lá fora, o foco é tecnologia e a cadeia de semicondutores. Falam ainda sobre inflação (choques de energia, transporte e comida mais a maior impressão monetária da história), juros brasileiros considerados altos demais, perspectiva de petróleo e cobre, e encerram com a lição de Warren Buffett: equilíbrio, diversificação e tempo.
“A geografia dos Estados Unidos é tão boa, tão boa, que é equivalente a eles terem ganhado na mega-sena da virada da geografia mundial.”
“Olhando de fora, as instituições democráticas às vezes parecem ineficientes, bagunçadas. Elas são. Mas essa bagunça, com várias instituições independentes, leva no longo prazo a um estado que é melhor e mais desenvolvido do que algo centralizado e planejado.”
“Demografia é destino. Você consegue prever o que vai acontecer com as populações de todos os países do mundo com 50 anos de antecedência.”
“O Brasil virou a menina mais bonita da sala porque todas as outras perderam os dentes.”
“A gente está no maior nível de barateza dos últimos 25 anos. Está em uma super liquidação mesmo, um Black Friday.”
“Nossa, o seu método é tão simples. Por que as pessoas não copiam? E o Buffett respondeu: porque ninguém quer ficar rico de maneira devagar.”