
#9527 de setembro de 2022 · 1h21min
Werner Roger — Engenheiro agrônomo pela Unesp, gestor e cofundador da Trígono Capital, gestora especializada em small caps, com 39 anos de mercado e passagens por Chase Manhattan e Citibank.
Victor Oliveira — Economista e head de alocação da Grão Investimentos, com mais de 10 anos de mercado e ex-sócio do Banco Modal.
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Stocks for the Long Run
citado por Werner Roger
15:46Ensinamentos e Insights das Resenhas da Trígono Capital
citado por Werner Roger
1:18:40Retorno acima do mercado vem de olhar onde ninguém olha: em empresas grandes a informação já está no preço, enquanto nas small caps a ineficiência ainda existe — e capturá-la exige concentração, contabilidade de verdade e visão de longo prazo.
Antes de comprar qualquer ação, aprenda contabilidade básica e pare de usar EBITDA como medida de geração de caixa: calcule o lucro operacional depois de depreciação e imposto de renda (NOPAT) para ver quanto a empresa realmente sobra.
Neste episódio #95 d'Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Werner Roger, cofundador da Trígono Capital — gestora premiada como melhor gestora de small caps e reconhecida pela Citywire e Morningstar — e Victor Oliveira, head de alocação da Grão Investimentos, para discutir por que empresas menores na bolsa tendem a oferecer retornos superiores ao longo do tempo. A conversa faz parte de uma série em que os hosts apresentam os gestores dos fundos que vão compor a previdência Arca da Grão. Werner conta sua trajetória de 39 anos no mercado: engenheiro agrônomo de formação, começou investindo aos 15 anos, passou por Chase e Citibank nas áreas de crédito e risco, e explica como essa visão de crédito moldou um estilo de investimento focado em solidez financeira e longo prazo. Ele detalha a metodologia da Trígono: filtro ESG por exclusão (Vale, Braskem e JBS estão fora), cálculo de EVA usando NOPAT em vez de EBITDA, exigência de desconto mínimo de 20% sobre o valor justo, foco em dividendos reinvestidos (dois terços do retorno das ações no mundo vêm daí) e proteção cambial via empresas exportadoras. Defende concentração em vez de diversificação — hoje 92% dos fundos estão em apenas 10 empresas — e critica IPOs, lembrando que bancos de investimento trabalham para as empresas, não para os investidores. O gestor apresenta suas principais posições (Ferbasa, Unipar, Simpar, Tupy/MWM) e os quatro setores em que se concentra: agronegócio, commodities de nicho eletrointensivas, logística e industrial. A tese central é a ineficiência de mercado: com poucos analistas olhando small caps, há mais distorções de preço a explorar — como encontrar uma Ferrari barata em Botucatu em vez de São Paulo.
“Quem não conhece contabilidade não deveria investir em ações. 90% dos analistas não sabe contabilidade.”
“Não coloque todos os ovos numa cesta só? Eu quero ter uma cesta e não dez. Essa cesta eu levo no colo, eu cuido.”
“Os bancos — eu trabalhei 25 anos em bancos — o banco trabalha para a empresa e não para o investidor. Guardem isso.”
“Você vai comprar uma Ferrari, onde você vai comprar? Em São Paulo ou lá em Botucatu? Talvez você consiga uma Ferrari em Botucatu muito mais barato, porque não tem muita gente procurando Ferrari em Botucatu.”
“Imagina uma nota de 100 dólares caindo numa calçada muito movimentada na Times Square: o negócio mal caiu no chão, alguém já vai estar pegando. Agora você joga uma nota de 100 numa calçada pouco movimentada, que são as small caps da B3: o negócio fica largado lá durante dias.”
“Eles olham tirando uma fotografia, olham o retrovisor. Não estão olhando para frente. A gente olha para frente, nos interessa o futuro — o passado não me interessa porque não vai me pagar dividendo.”