
#11122 de dezembro de 2022 · 1h48min
Heni Ozi Cukier — Cientista político, palestrante e criador do canal Professor HOC, um dos maiores canais de geopolítica do Brasil; já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU, foi deputado estadual por São Paulo e é autor de 'A Inteligência do Carisma'
9 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Inteligência do Carisma
citado por Bruno Perini
3:33Memórias do Subsolo
citado por Bruno Perini
15:39Guerra e Paz
citado por Bruno Perini
16:09
A Revolução dos Bichos
citado por Bruno Perini
38:09O Caminho da Servidão
citado por Bruno Perini
39:16
Origens do Totalitarismo
citado por Heni Ozi Cukier
41:43A Pretensão do Conhecimento
citado por Bruno Perini
53:10As Fontes da Conduta Soviética
citado por Heni Ozi Cukier
1:00:22Os Botões de Napoleão
citado por Bruno Perini
1:17:03Regimes que concentram todo o poder numa só cabeça não conseguem admitir erro — e é por isso que suas piores políticas, dos pardais de Mao ao covid zero, se transformam em catástrofes antes de serem revistas.
Leia 'O Caminho da Servidão', de Hayek, para entender por que centralização econômica e perda de liberdade política são consequências uma da outra — e não acidentes históricos.
Neste episódio especial de Natal do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem pela terceira vez o cientista político Heni Ozi Cukier (professor HOC) para contar a história da queda da União Soviética, ocorrida em 26 de dezembro de 1991. A conversa começa pela geografia: por ser o maior território do planeta, plano e sem barreiras naturais, a Rússia sempre viveu sob a lógica da expansão defensiva, criando estados-tampão e usando a 'profundidade territorial' para derrotar invasores como Napoleão e os nazistas. Em seguida, HOC percorre a formação da URSS — a fome do final do século XIX, as duas revoluções de 1917, a adaptação de Lênin à teoria marxista num país ainda feudal, a coletivização das terras, o Holodomor, os gulags e o terror stalinista, com cerca de 1 milhão de mortos só nos expurgos internos. Bruno traz paralelos literários (Dostoiévski, Tolstói, Orwell, Hayek, Hannah Arendt) e os convidados discutem por que o nazismo é mais repudiado que o comunismo, o paradoxo do poder e a diferença entre ditadura e totalitarismo. A parte final trata da Guerra Fria e da estratégia de contenção de George Kennan, do colapso econômico soviético, da ascensão de Yeltsin e Putin, das bombas atômicas herdadas pela Ucrânia e do cenário atual: o degelo do Ártico como nova rota geopolítica, as políticas 'burras' de regimes centralizados (dos pardais de Mao ao covid zero de Xi Jinping) e o risco real de uso de arma nuclear na guerra da Ucrânia — que, segundo HOC, só será evitado se o Ocidente elevar explicitamente o custo dessa decisão para Putin.
“Os russos não fazem parte de alguma coisa. A pergunta que eles fazem é: quem faz parte de mim?”
“Eu estou disposto a trocar ou entregar esse território inútil para que eu proteja o meu, para o cara não chegar na minha fronteira.”
“O Spielberg decidiu fazer a Lista de Schindler, ele não fez os gulags. Então as pessoas não sabem dessa história.”
“Quanto mais poder eles têm, mais inseguros eles se sentem e mais paranoicos ficam.”
“Esses regimes fechados têm uma característica interessante: tudo parece muito sólido até não ser mais.”
“O dia que se usou a bomba: o dia antes e o dia depois, o mundo não vai ser o mesmo sob nenhum ponto de vista.”