
#8504 de agosto de 2022 · 1h33min
Sérgio Moro — Advogado, juiz federal por 22 anos, atuou na Operação Lava Jato, ex-ministro da Justiça e candidato ao Senado pelo Paraná
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Contra o Sistema da Corrupção
citado por Malu Perini
1:24
Os Miseráveis
citado por Sérgio Moro
19:43O preço da integridade na política é a eterna vigilância — combater a corrupção não é um evento, é uma luta permanente contra um sistema que sempre reage.
Antes de votar, avalie os candidatos pelas bandeiras que eles defendem e pelo histórico de coerência com elas — e não pela polarização entre os dois extremos.
No episódio #85 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem Sérgio Moro, juiz federal por 22 anos, responsável pela Operação Lava Jato, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e, à época da gravação, candidato ao Senado pelo Paraná. Moro conta sua trajetória: filho de professores de Maringá, escolheu a magistratura após perceber que o trabalho de advogado trazia 'muita vitória, mas sem glória', e passou no concurso para juiz federal aos 24 anos. Relembra casos como o Banestado, o interrogatório de Fernandinho Beira-Mar e a descoberta de um 'sistema' de corrupção institucionalizado na Petrobras, com loteamento político de diretorias e bilhões em propinas. Moro critica as anulações das condenações da Lava Jato pelo STF, que classifica como 'um baita erro judiciário' com 'caráter político', ressaltando que a anulação não significa inocência — a Petrobras recuperou R$ 6 bilhões graças à operação. Fala também sobre sua passagem pelo Ministério da Justiça, destacando a implementação do Banco Nacional de Perfis Genéticos (que ajudou a solucionar o assassinato da menina Raquel Genofre), a transferência de lideranças do PCC para presídios federais e a queda de 22% nos assassinatos em 2019. Explica que saiu do governo por falta de apoio de Bolsonaro à pauta anticorrupção e nega qualquer acordo sobre indicação ao STF. Sobre a política, analisa o esvaziamento da terceira via em 2018 e 2022, culpando o 'mundo político' por não apoiar candidatos moderados. Defende economia liberal, privatizações com modelo que garanta competição, fim do foro privilegiado e um Senado independente — lembrando que cabe ao Senado aprovar ou rejeitar indicações ao STF, papel que historicamente só foi exercido uma vez na República. Bruno Perini se mostra cético quanto ao futuro do Brasil e revela ter metade do patrimônio investido no exterior, enquanto Moro insiste que não se pode desistir do país.
“Olha, aqui a gente tem muita vitória, mas sem glória.”
“Não importa que você seja o Lula, não importa que você seja Bolsonaro, não importa que você seja quem quer que seja: você tem que pagar pelos seus crimes.”
“Com todo respeito ao Supremo, é um baita erro judiciário, e para mim tem ali uma decisão de caráter político.”
“Se o crescimento econômico dependesse de governabilidade baseada em corrupção, o Brasil era três vezes o PIB da China.”
“Eu sinceramente não tenho muita esperança no Brasil não. Eu acho que a gente é esse país medíocre que ora melhora um pouquinho e volta a piorar.”
“Se eu quisesse realmente ser ministro do Supremo, tinha ficado lá, falava amém para tudo que Bolsonaro falava, ficava lá chamando ele de mito.”