
#6613 de abril de 2022 · 1h31min
Luiz Felipe d'Avila — Cientista político, mestre em administração pública por Harvard, fundador do CLP e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Os Dez Mandamentos do Brasil
citado por Luiz Felipe d'Avila
6:08Por Que as Nações Fracassam
citado por Luiz Felipe d'Avila
19:28Não adianta ter boa ideia: no setor público, mudança só acontece quando se descentraliza o poder e se constrói uma narrativa capaz de engajar a sociedade contra o corporativismo.
Pegue uma pauta pública que te afeta (tributária, educação, gasto municipal) e acompanhe os indicadores reais no seu município ou estado — comece entrando no site Tesouro Transparente para ver para onde vai o imposto que você paga.
No segundo episódio da série com presidenciáveis, Bruno e Malu Perini recebem Luiz Felipe d'Avila, pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo. Ele conta sua trajetória — formação em Ciência Política na França e mestrado em Harvard, passagem pelo jornalismo e pela Editora Abril, empresa de energia de biomassa na Bahia e a fundação do CLP (Centro de Liderança Pública), que já formou cerca de 9 mil líderes públicos no país. O cerne da conversa é a defesa do federalismo de verdade: tirar poder e recursos de Brasília e devolvê-los a estados e municípios, com metas nacionais (como estar no top 20 do Pisa em 8 anos) e cobrança de resultados na ponta. D'Avila ataca o 'capitalismo de estado' e o corporativismo público e privado, defende abertura unilateral e gradual da economia ao longo de quatro anos, entrada na OCDE como disciplinador de regras, reforma tributária (PECs 110 e 45), reforma administrativa por desempenho e o fim do monopólio da CLT — não sua extinção, mas a criação de novos tipos de contrato que a esvaziariam por inanição. Também passam por privatizações (Petrobras, Correios, Banco do Brasil, Caixa), fundo eleitoral, inflação e estouro do teto de gastos, planos para saúde e educação via parcerias público-privadas, criptomoedas (com cautela e 'bolsões de experimento') e uma proposta original de comercialização de dados pessoais como nova fonte de renda. Ao final, discutem a polarização Lula x Bolsonaro e por que, na visão dele, a terceira via fracassa por falta de projeto e proposta concreta.
“A governança da política é oposta da governança do setor privado. No setor privado o dono do seu negócio é permanente e os diretores e gerentes são temporários; no setor público o CEO é temporário e toda a diretoria é permanente, porque funcionário público não pode demitir.”
“Ideia vale um centavo. A gente viu o Paulo Guedes com várias e mesmo assim não conseguiu aplicar.”
“Toda vez que a sociedade está unida numa pauta, o corporativismo perde.”
“Hoje setenta por cento do PIB é judicialização tributária. Olha que absurdo.”
“A gente gastou 670 milhões de reais na pandemia para vacinar os brasileiros com três doses e a gente vai gastar 5 bilhões de reais em dois meses de eleição.”
“A grande pergunta não é nem Lula nem Bolsonaro: a sua vida piorou ou melhorou nos últimos oito anos?”