
#5704 de março de 2022 · 1h53min
Flavio Morgenstern — Escritor, professor e analista político, fundador do portal Senso Incomum e editor na revista Oeste
Gabrielly Castro — Brasileira estudante de medicina que residia na Ucrânia e também cursou medicina na Rússia, compartilha conteúdo sobre a vida lá no Instagram
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Por trás da máscara: do passe livre aos Black Blocs
citado por Bruno Perini
1:32A República
citado por Flavio Morgenstern
42:34Sanções econômicas contra uma potência preparada não a enfraquecem — empurram ela, e meio mundo junto, para um sistema financeiro alternativo controlado pela China.
Antes de formar opinião sobre qualquer número da guerra (baixas, avanços, vitórias), verifique quem é a fonte: em guerra não existe informação checada, só narrativa — e reavalie sua exposição a ativos sensíveis à inflação de energia e alimentos.
No episódio 57 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini voltam ao tema Rússia x Ucrânia, agora com a guerra já em curso. Recebem Flavio Morgenstern, escritor e analista político, e Gabrielly Castro, brasileira que estudava medicina na Ucrânia (e antes na Rússia) e deixou o país uma semana antes da invasão. Gabrielly relata como a embaixada brasileira minimizava o risco enquanto outras embaixadas já mandavam seus cidadãos embora, descreve o clima entre ucranianos e russos, a propaganda que faz parte da população russa acreditar que Putin está 'libertando' a Ucrânia de nazistas, e o drama prático de perder documentos acadêmicos e não conseguir comprovar anos de faculdade. Flavio Morgenstern analisa a biografia de Putin (ex-chefe de setor de desinformação da KGB), o projeto expansionista russo e a 'guerra de narrativas' que torna qualquer número de baixas pouco confiável. Critica duramente as sanções econômicas: excluir a Rússia do sistema Swift, segundo ele, empurra Rússia, China e satélites para um sistema alternativo de liquidação, enfraquecendo o dólar e transferindo riqueza para a China — comparando com o que ocorreu na Primeira Guerra, quando as garantias da aristocracia europeia migraram para Wall Street. O episódio ainda discute a dependência europeia do gás russo (Finlândia 94%, Alemanha 49%), o abandono alemão da energia nuclear, o risco de a China repetir o movimento em Taiwan, o papel de Zelensky como líder retórico inesperado, a neutralidade brasileira e as consequências econômicas globais: petróleo acima de US$ 100, fertilizantes, trigo, inflação e juros mais altos por mais tempo.
“Desinformação é coisa muito específica. Não dá para fazer num podcast — você precisa estar como chefe de redação de um jornal, veicular no Jornal Nacional. Isso é feito com órgãos oficiais.”
“Em guerra não tem informação checada. Só o tempo vai dizer a verdade.”
“Ela me mandou uma mensagem bem direta: 'acho que você deveria parar de divulgar essas mentiras, porque os russos não estão atacando civis'. E eu conheço essa pessoa, nós éramos amigas.”
“É importante enfatizar que a medicina tem que ser completamente neutra. Qual é a culpa de uma criança com câncer de que o chefe de estado dela é um merda?”
“Você está querendo diminuir o poder de um cara fazendo tudo que ele quer.”
“Se a Rússia parar de lutar acaba a guerra; se a Ucrânia parar de lutar, acabou a Ucrânia.”