
#7402 de junho de 2022 · 1h44min
Clóvis de Barros Filho — Professor doutor e livre-docente pela ECA-USP, filósofo, palestrante, host do podcast Inédita Pamonha e autor de 36 obras
15 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Sobre a Ira
citado por Bruno Perini
0:33A Vida que Vale a Pena Ser Vivida
citado por Bruno Perini
1:15
Antígona
citado por Clóvis de Barros Filho
3:30
Meditações
citado por Bruno Perini
14:40Felicidade desesperadamente
citado por Clóvis de Barros Filho
45:02
Odisseia
citado por Clóvis de Barros Filho
1:19:04
Epopeia de Gilgámesh
citado por Clóvis de Barros Filho
1:24:34
Sobre a Brevidade da Vida
citado por Bruno Perini
1:27:57
O Conde de Monte Cristo
citado por Bruno Perini
1:29:49Cartas de um estoico
citado por Bruno Perini
1:33:30Manual de Epicteto
citado por Clóvis de Barros Filho
1:34:06
O Vermelho e o Negro
citado por Clóvis de Barros Filho
1:40:31
1984
citado por Clóvis de Barros Filho
1:40:31Trilogia Tebana
citado por Bruno Perini
1:42:00
A Gaia Ciência
citado por Bruno Perini
1:43:46A excelência não é padrão universal: é tirar o melhor de si dentro dos limites da própria natureza — por isso é preciso primeiro descobrir qual é a sua praia, e depois nunca fazer nas coxas.
Identifique hoje uma atividade em que você é naturalmente bom e execute o próximo ato dela como se fosse o último — com atenção total, sem celular e sem pensar no que vem depois.
No episódio 74 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem o professor Clóvis de Barros Filho para uma conversa sobre estoicismo. Clóvis começa diferenciando o uso cotidiano da palavra "estoico" — resistência diante do infortúnio, exemplificada por ele mesmo, que foi assaltado na véspera e mesmo assim foi dar aula — do estoicismo como escola filosófica nascida na Stoa, o pórtico de Atenas, e que teve seu auge não entre os gregos, mas entre os romanos (Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio). O professor desenvolve o "jeito grego de pensar": o universo como cosmos, ordem finita em que cada parte tem uma função (ergon) e deve desempenhá-la com excelência (areté). A partir daí fala da busca da própria natureza — contando como o pai descobriu, aos seus 12 anos, que ele era um "explicador" — e da excelência como hábito automático, sempre relativa aos limites de cada um: é possível ser excelente sem ser bom. A conversa avança para a crítica ao presentismo estoico (Clóvis problematiza se a imediatidade do instante basta, citando Pascal e o eterno retorno de Nietzsche), para o amor fati, o memento mori e a aceitação da finitude — ilustrada pela escolha de Ulisses diante da oferta de eternidade de Calipso. Bruno traz o conceito econômico de preferência temporal e a dupla aposta entre o aluno que vive o presente e o que planeja o futuro. Clóvis encerra propondo um deslocamento do compromisso com o cosmos para um compromisso com a humanidade, usando a metáfora do revezamento na natação, e recomenda leituras estoicas.
“A vida boa pressupõe essa capacidade de encarar a adversidade e, embora o afeto sempre exista, você superá-lo, suportá-lo e seguir adiante.”
“Ele é ruim em tudo. Ou então ele é muito bom para uma atividade que o homem ainda não desempenha.”
“Você pode ser excelente e não ser bom. O excelente é o meu excelente.”
“O estoicismo é a consequência de uma sabedoria e não de uma passividade.”
“Todos os valores da vida só são valores porque estão vinculados à ideia da finitude.”
“Se eu me sair mal é problema meu. No revezamento, se você for mal, perdem os quatro.”