
#6407 de abril de 2022 · 1h28min
Rodrigo Barbosa — Engenheiro mecânico com MBA em finanças e CEO da Aura Minerals, mineradora de ouro e cobre nas Américas
Pepa Silveira — Economista formado na USP com mestrado e doutorado pela FGV, diretor de gestão de recursos da Nova Futura Gestora
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
2:38
Princípios
citado por Bruno Perini
1:15:51O ouro deixou de ser moeda em 1971, mas nunca deixou de ser reserva de valor: ele não rende juros nem gera caixa — seu valor vem justamente da escassez, que nenhum banco central consegue imprimir.
Avalie hoje se faz sentido alocar entre 5% e 15% da sua carteira em ouro via ETF (como o Gold11) ou contratos na B3, entendendo que o preço combina a cotação internacional em dólar com a variação do câmbio.
O episódio 64 de Os Sócios Podcast é dedicado inteiramente ao ouro, tema que até então só aparecia de passagem em outros episódios. Bruno e Malu Perini recebem Rodrigo Barbosa, CEO da mineradora Aura Minerals, e Pepa Silveira, diretor de gestão de recursos da Nova Futura, para explicar por que civilizações sem contato entre si valorizaram o mesmo metal, quais propriedades físicas (escassez, durabilidade, divisibilidade, não corrosão) fizeram do ouro a moeda natural da humanidade e como ele deixou de ser moeda em 1971, com o fim de Bretton Woods, sem perder o papel de reserva de valor. A conversa percorre a história monetária — o ouro das Américas financiando a expansão comercial europeia, o navio de ouro que ia e voltava entre Londres e Paris nas crises do século XIX, o episódio de De Gaulle mandando buscar ouro em Nova York — e chega ao presente: emissão de 20 trilhões de dólares no mundo durante a pandemia, inflação americana de 8%, endividamento de 30 trilhões e o confisco das reservas russas, que abalou a confiança no dólar como reserva internacional e pode abrir caminho para um mundo monetário multipolar. Na parte prática, os convidados divergem amigavelmente sobre o papel do ouro na carteira: Pepa alerta que, cotado em dólar e convertido em reais, o ouro soma duas volatilidades e pode aumentar o risco do investidor pessoa física; Rodrigo cita estudos do World Gold Council mostrando que carteiras com 5% a 15% em ouro performaram melhor por ele ser anticíclico. Discutem os veículos disponíveis (contratos na B3, ETF Gold11, ações de mineradoras, ouro físico), a alavancagem operacional das mineradoras, os riscos geológicos e jurídicos do setor, a escassez crescente das minas e a comparação com o Bitcoin — que, segundo eles, não cumpre o papel anticíclico do ouro, mas pode conviver com ele num portfólio diversificado.
“Todo o ouro que já foi minerado desde os seus primeiros tempos vale hoje cerca de 10 trilhões de dólares e cabe um pouco mais de uma piscina olímpica.”
“O investidor que é médico, o investidor que é técnico em TI, sentar em cima de uma posição de ouro é como sentar numa posição de dólar: vai ter momentos de muita alegria, mas vai ter noites que ele vai dormir mal.”
“A gente pode falar que os juros reais americanos são grandes inimigos do ouro.”
“Ele falava que quem não tem ouro no portfólio ou não entende de história ou de economia.”
“Acabou o ouro fácil. Esse ouro que serviu na época do império era 30, 40, 50 gramas por tonelada. Hoje a gente faz 1 grama por tonelada.”