
#10909 de dezembro de 2022 · 2h34min
Paulo Muzy — Médico especializado em ortopedia, traumatologia e medicina esportiva, empreendedor, palestrante e criador do quadro 'banho' no Instagram.
Eslen Delanogare — Psicólogo com mestrado e doutorando em neurociência, sócio da clínica Be Health e criador do Reservatório de Dopamina.
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Almanaque de Naval Ravikant
citado por Bruno Perini
27:44
Rápido e Devagar
citado por Paulo Muzy
36:16Previsivelmente Irracional
citado por Bruno Perini
44:32Sobre a Ira
citado por Bruno Perini
45:14
Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada
citado por Eslen Delanogare
2:15:11Elogio ao Ócio
citado por Bruno Perini
2:28:23A excelência não é extraordinária: ela é o amontoado de comportamentos triviais — comer, dormir, treinar, estudar — repetidos por tempo suficiente, e o maior obstáculo é justamente desprezar o óbvio em busca de atalhos.
Escolha um hábito que você quer criar e um que quer destruir, e mude o ambiente hoje: deixe o que você quer fazer à mão (garrafa de água na porta da geladeira, academia perto de casa) e dificulte o acesso ao que você quer evitar (celular em outro cômodo, desinstalar o app, tirar a bebida da geladeira). Em seguida, coloque na agenda o horário exato de cada atividade, incluindo deslocamento e preparo.
No episódio 109 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem pela segunda vez o neurocientista Eslen Delanogare e o médico Paulo Muzy para discutir o que realmente significa alta performance física e mental. Logo de início, a dupla desmonta a ideia romântica do tema: performance é trivial, monótona e repetitiva — comer, dormir, treinar, estudar — e a excelência nada mais é do que um amontoado de comportamentos que, isoladamente, não têm nada de extraordinário. O grande problema é que as pessoas negligenciam o óbvio e buscam atalhos, fórmulas mágicas, psicoestimulantes e estratégias mirabolantes. A conversa percorre temas como o limite biológico inegociável do sono e da alimentação, os 'comportamentos de soma zero' (fazer tudo certo na semana e jogar fora no fim de semana), a rede de modo padrão do cérebro e a relação entre ócio e criatividade, a formação de hábitos (a pesquisa de Phillippa Lally e a média de 66 dias), e o papel decisivo do ambiente — tirar a cerveja da geladeira, deixar o celular em outro cômodo, montar academia em casa, escolher com quem convive. Muzy e Eslen também criticam o uso das redes sociais como fim e não como ferramenta, discutem suplementação (ômega 3 com EPA e creatina como as mais embasadas) e alertam sobre os riscos de exames mal interpretados em quem treina. No fechamento, cada convidado dá sua recomendação final: Eslen afirma que jamais se deve negligenciar o sono, pois é nele que as modificações sinápticas se consolidam; Muzy lembra que o ser humano tem capacidade infinita de criar argumentos para se satisfazer — a fábula da raposa e as uvas — e que alta performance não é ser mais forte ou mais rápido às custas do trabalho, da família e dos amigos, mas equilibrar todas as áreas da vida.
“Excelência nada mais é do que o amontoado de comportamentos que isoladamente nada têm de extraordinário ao longo do tempo.”
“Performance até um carro que chega a 300 por hora, se ele não fizer curva não é performance, é suicídio.”
“A gente está falando que existe um limite biológico que você não consegue negociar.”
“A desorganização é mãe da procrastinação.”
“A agenda é uma camada extracortical do seu cérebro.”
“Se você piora no seu trabalho, na sua família, nos seus amigos para você ficar com abdômen de gominho, isso não é esforço, é falta de prioridade.”
“Dominar o seu corpo é o primeiro passo para você dominar sua mente.”