
#5410 de fevereiro de 2022 · 2h16min
Oliver Stuenkel — Professor e pesquisador de relações internacionais da FGV, autor de 'BRICS e o Futuro da Ordem Global' e 'O Mundo Pós-Ocidental'
Heni Ozi Cukier — Conhecido como Professor HOC, cientista político, professor de relações internacionais na ESPM, ex-Conselho de Segurança da ONU e deputado estadual pelo Novo em São Paulo
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
BRICS e o Futuro da Ordem Global
citado por Bruno Perini
1:18Mundo Pós-Ocidental
citado por Bruno Perini
1:20
Inteligência do Carisma
citado por Bruno Perini
2:15A Ascensão do Dinheiro
citado por Bruno Perini
37:57Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
40:13À Paz Perpétua
citado por Heni Ozi Cukier
1:01:55Em política internacional não existe lei nem polícia do mundo: quem pode mais faz mais, e por isso nenhum país pode esperar o adversário montar todo o cerco para só então reagir.
Abra o mapa da Rússia, da Ucrânia e do Mar Negro e identifique os pontos de estrangulamento (Crimeia, Bósforo, Báltico, Vladivostok) — entender a geografia é o atalho para entender a decisão política e seus efeitos sobre energia, alimentos e inflação no seu bolso.
Neste episódio #54 do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem Oliver Stuenkel (FGV) e Heni Ozi Cukier, o Professor HOC, para explicar a crise entre Rússia e Ucrânia às vésperas de uma possível invasão. Os convidados partem do cenário presente — mais de 100 mil soldados russos na fronteira, a maior mobilização desde a Guerra Fria — e destrincham as duas narrativas em choque: a russa, de que a expansão da OTAN é uma ameaça existencial real, e a ocidental, de que recuar significa legitimar um projeto imperialista de dominação. A conversa recua à história e à geografia: a vulnerabilidade da planície europeia, as rotas de invasão mongol e europeia, o nascimento dos Rus de Kiev, a disputa sobre quem são os 'russos originais', o Holodomor, Chernobyl e a entrega das armas nucleares ucranianas em troca de garantias territoriais que a Rússia depois violou. Também é explicada a obsessão russa por portos de água quente e por que a Crimeia e o acesso ao Mar Negro são inegociáveis. Em paralelo, discutem a ascensão de Putin sobre o trauma do colapso soviético, a privatização caótica dos anos 90, a associação entre democracia e caos no imaginário russo, e por que ele é hoje, segundo HOC, talvez o homem mais poderoso do mundo — e ao mesmo tempo estruturalmente vulnerável. Na parte final, especulam sobre cenários: HOC aposta numa invasão parcial para criar uma ponte terrestre com a Crimeia e tirar o acesso ao mar da Ucrânia; Oliver vê chance de solução diplomática vaga que permita a Putin declarar vitória. Ambos analisam as consequências de segunda ordem — inflação, energia, fertilizantes, trigo, refugiados —, a dependência alemã do gás russo e o Nord Stream 2, a limitação real das sanções, o papel da China observando Taiwan e, por fim, por que a hegemonia do dólar segue intacta apesar da desdolarização russa.
“Não tem Constituição do mundo, não tem Judiciário do mundo, não tem polícia do mundo, não tem exército do mundo. Adivinha: é anarquia. Quem pode mais faz mais.”
“Você não mobiliza 100 mil tropas para dar um sinalzinho, tipo 'ah, só testei vocês, brinquei aqui'.”
“Muita gente fala: que chato essa crise, espero que vai passar. Eu falo: gente, nas próximas décadas não vai passar.”
“Muitos russos chegaram a associar a democracia a um sistema de descontrole total, porque havia eleições livres nos anos 90, só que virou uma bagunça enorme.”
“A democracia requer uma constante alimentação, cuidado. É uma planta que tem que ser regada o tempo inteiro.”
“O problema de tudo isso é que não tem uma saída simples diplomática. É uma situação que pode permanecer por um bom tempo e em algum momento vai estourar.”