
#5810 de março de 2022 · 1h55min
João Doria — Empresário, jornalista, publicitário, governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB
Toque no livro pra ver o que foi dito, ou no minuto pra ouvir.
Oportunidades Disfarçadas
citado por Bruno Perini
11:55Reformas impopulares só saem do papel quando há liderança disposta a pagar o custo político — mas qualquer promessa de candidato vale menos do que o histórico de execução que ele já tem para mostrar.
Antes de decidir seu voto, entre nos sites do Tesouro Transparente e do Banco Central e confira você mesmo os números de gastos públicos, inflação e dívida/PIB, em vez de aceitar os dados que o candidato apresenta.
No episódio 58 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini inauguram uma série de entrevistas com pré-candidatos à Presidência da República em 2022. O primeiro convidado é João Doria, então governador de São Paulo e pré-candidato pelo PSDB, que abre a conversa contando sua história pessoal: filho de um deputado federal cassado pelo golpe de 1964 e exilado em Paris por dez anos, viveu a queda da família para a pobreza extrema, começou a trabalhar aos 13 anos como office boy numa agência de publicidade e perdeu a mãe aos 14. Dessa trajetória vieram, segundo ele, a disciplina e o espírito de luta que o levaram a construir carreira em rádio e TV, fundar o Grupo Doria e o Lide, e depois migrar para a política. A segunda parte do episódio é um debate de propostas e contrapontos. Doria se define como 'liberal social', defende privatizações (Petrobras com split em três ou quatro empresas, Caixa Econômica, Correios), compromisso com o teto de gastos, reforma tributária, fiscal e administrativa, e usa a gestão paulista como vitrine: cinco estatais extintas, R$ 53 bilhões em caixa, escolas de tempo integral, concessão rodoviária Piracicaba–Panorama e a vinda da CoronaVac. Bruno Perini contesta vários pontos com dados ao vivo — carga tributária sobre absorventes e alimentos, composição dos gastos da União, inflação, relação dívida/PIB e a eficácia das medidas restritivas na pandemia. Doria também faz autocrítica sobre ter apoiado Bolsonaro em 2018, ataca tanto Lula quanto o governo então vigente, defende a terceira via, critica a entrega do orçamento ao Centrão e a política externa brasileira, e se diz radicalmente contra taxar grandes fortunas. Encerra dizendo que, se pudesse fazer apenas uma coisa como presidente, focaria em geração de empregos.
“Eu não tenho compromisso com erro. Eu errei ao votar em Bolsonaro, não vou errar outra vez.”
“Você não vai melhorar a condição de vida dos brasileiros empobrecendo os mais ricos.”
“Eu não fiquei tão feliz na vida quanto ao tirar a carteira azul de trabalho e conseguir um emprego de boy.”
“Muitas vezes eu vejo essa questão do lockdown como uma estratégia que o pessoal usa até dar certo, igual a dança da chuva dos índios norte-americanos.”
“Líder não negocia a sua força, a força que emanou do voto popular, para entregar pro centrão.”
“Por mais que você não goste de política, você tem que entender para tentar fazer a melhor escolha quando a hora chegar.”