
#15031 de agosto de 2023 · 1h40min
Lúcia Helena Galvão — Professora de filosofia há 34 anos na Nova Acrópole do Brasil, palestrante, youtuber e autora de oito livros
9 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

O Caibalion
citado por Bruno Perini
2:40
Cosmos
citado por Bruno Perini
5:33A República
citado por Lúcia Helena Galvão
7:19
Leviatã
citado por Lúcia Helena Galvão
13:34Papiro de Ani
citado por Lúcia Helena Galvão
18:46
O Conde de Monte Cristo
citado por Bruno Perini
37:26
Admirável Mundo Novo
citado por Bruno Perini
1:19:25O Instante de um Tempo Interior
citado por Lúcia Helena Galvão
1:35:42
Tao Te King
citado por Lúcia Helena Galvão
1:36:44O poder não corrompe ninguém: ele apenas potencializa o que a pessoa já é — por isso a única vigilância que funciona é a consciência interna, que continua te vendo depois que a última porta se fecha.
Pratique o 'anel de Giges' ao contrário hoje: escolha uma situação em que ninguém te veria agindo de forma antiética e aja como se estivesse sendo observado — porque você está, pela sua própria consciência.
No episódio 150 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem a professora Lúcia Helena Galvão, da Nova Acrópole, para uma conversa sobre a filosofia de Platão e sua atualidade. Ela explica a teoria das ideias, o papel de Platão como divisor de águas na história do pensamento e o deslocamento do foco dos pré-socráticos (a natureza) para o ser humano com Sócrates e Platão. A partir do mito do anel de Giges, a conversa avança para a discussão sobre ética de coerção versus ética de convicção: agimos bem porque acreditamos ou apenas porque estamos sendo vistos? A professora argumenta que o poder não corrompe, apenas potencializa o que a pessoa já é, citando Machado de Assis ("a ocasião faz o crime, o ladrão já nasce feito"). Discutem o rei-filósofo, o dilema de escolher governantes virtuosos quando o eleitorado não tem virtude, e a concepção de tempo real como expansão da consciência — não como voltas ao redor do sol. Lúcia conta contos zen, cita o papiro egípcio e a passagem de Sócrates sobre a mãe parteira que não pode fazer nascer o que não está gestando. A segunda metade trata do descompasso entre evolução tecnológica e evolução moral: se a máquina evolui e o homem não, temos "um bebê com uma faca afiada na mão". Bruno traz o paradoxo do Navio de Teseu aplicado a transplantes, próteses e upload de mente; Lúcia responde com a ideia do observador interno, aquele que permanece enquanto corpo, energia, emoções e pensamento mudam — e questiona como colocar esse observador numa máquina. Fecham falando de dispersão mental, concentração, alegoria da caverna, a ideia do Bem como lente que vê o outro pelo que o beneficia, e vida extraterrestre.
“O poder não vai inventar em mim uma falta de ética, ele vai simplesmente trazer à tona aquilo que eu tenho.”
“O senhor só mandou que eu não roubasse se estivesse alguém me vendo, e eu estou me vendo o tempo todo, portanto não dá para roubar.”
“Se você não está grávida da filosofia, do amor à sabedoria, não sou eu que vou poder fazer o teu parto, por muito que eu seja um excelente parteiro.”
“Cresceu a máquina e não cresceu o homem: isso é muito perigoso, é como se fosse um bebê com uma faca afiada na mão.”
“Não é tanto que ela esteja ocupando o nosso lugar, nós é que estávamos ocupando o lugar dela. Ela está nos liberando para fazer aquilo que é próprio do ser humano.”
“Passe um dia com pensamentos circulares totalmente descontrolados: vai cansar mais do que carregar pedra.”