
#4302 de dezembro de 2021 · 2h05min
Andrei Mayer — PhD em fisiologia com ênfase em neurofisiologia, professor e neurocientista da UFSC, host do podcast Culpa do Cérebro e criador do curso Super Cérebro
Fernanda Landeiro — Psicóloga, doutora em saúde pela UFBA, terapeuta cognitiva pela Oxford e criadora da formação em terapia cognitivo-comportamental
6 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Pai Rico, Pai Pobre
citado por Bruno Perini
10:30
Harry Potter
J.K. Rowling
18:23
Admirável Mundo Novo
citado por Fernanda Landeiro
46:40
O Oráculo da Noite
citado por Bruno Perini
1:00:00
O Milagre da Manhã
citado por Bruno Perini
1:00:41Davi e Golias
citado por Bruno Perini
1:54:47Aprender não é só prestar atenção enquanto se estuda: a maior parte do aprendizado acontece depois — nas pausas, na tentativa de lembrar sem consultar e, principalmente, no sono.
Depois de estudar um ou dois parágrafos, pare e escreva um resumo com suas próprias palavras SEM consultar o material, leia esse resumo em voz alta e só então volte ao texto — e garanta pelo menos 7 horas de sono naquela noite.
No episódio 43 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o neurocientista Andrei Mayer e a psicóloga Fernanda Landeiro para explicar como o cérebro realmente aprende. Andrei explica que aprendizado é mudança nos circuitos cerebrais, um processo ativo e caro energeticamente, dividido em etapas: foco atencional para coletar informação, consolidação (que exige pausas) e o papel essencial do sono. A conversa desmonta mitos populares como o Cone do Aprendizado defendido por Robert Kiyosaki e a ideia de que usamos apenas 10% do cérebro. A dupla de convidados aprofunda o papel da motivação — ligada à liberação de dopamina — como um dos fatores mais subestimados da educação, e explica a procrastinação como alívio imediato de ansiedade. Fernanda detalha as bases da terapia cognitivo-comportamental, o condicionamento de Pavlov, o uso cosmético de medicações como a ritalina e os critérios reais para diagnosticar um transtorno: frequência, intensidade e prejuízo clinicamente significativo. Na segunda metade, o episódio se torna muito pessoal: Malu relata ter sido diagnosticada com dislexia aos 28 anos, Fernanda conta seu diagnóstico de TDAH na faculdade, e Bruno narra como a crença de ser 'medíocre' o travou por anos até passar em primeiro lugar no concurso do Exército. O grupo discute neurodiversidade, mediação escolar, cronobiologia (luz solar, horário das refeições, ciclo circadiano) e encerra com a reflexão de que identificar cedo uma dificuldade de aprendizagem pode mudar toda a trajetória de uma pessoa.
“O cérebro ele é uma máquina de aprender, mas ele também é uma máquina de esquecer. Ele tá o tempo todo visitando a biblioteca e fala: cara, esse livro a gente nunca usou, vamos tirar.”
“Motivação, na minha avaliação, é um dos aspectos mais subestimados da educação.”
“A diferença entre o remédio e o veneno está na dose, e está na forma como isso vai ser administrado.”
“Qualquer coisa, Bruno e Malu, que tenha potencial de estimular a liberação de dopamina tem potencial de gerar vício.”
“Eu sabia que eu era inteligente e eu não entendia como eu podia ser tão burra para algumas coisas, porque eu não sabia que eu tinha um problema.”
“Quanto mais você não faz, mais reforça a ideia de que você não consegue fazer.”
“É como botar um gladiador para enfrentar um sniper. Talvez você tenha problema em alguma área, mas você possa ser muito bom em outras.”