
#15605 de outubro de 2023 · 1h42min
Heni Ozi Cukier — Cientista político, palestrante e professor, criador do canal Professor HOC, um dos maiores canais de geopolítica do YouTube no Brasil; já trabalhou no Conselho de Segurança da ONU e foi deputado estadual por São Paulo
3 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Inteligência do Carisma
citado por Bruno Perini
2:26A Ascensão do Dinheiro
citado por Bruno Perini
34:15
A Era das Máquinas Espirituais
citado por Bruno Perini
1:33:36Entre nações rivais, o que importa não é o ganho absoluto do comércio, mas o ganho relativo: um país está disposto a perder muito — e pagar mais caro — para evitar depender do inimigo, e é por isso que a lógica econômica não impede guerras.
Reavalie sua carteira sob a ótica do risco geopolítico, não só do retorno: identifique quais ativos seus dependem da estabilidade entre EUA e China e considere diversificação em reservas de valor fora do sistema bancário tradicional.
Neste episódio especial do Os Sócios, gravado ao vivo no VR Camp diante de uma plateia de quase 2 mil pessoas, Bruno e Malu Perini recebem o cientista político Heni Ozi Cukier (Professor HOC) para discutir a possibilidade de uma terceira guerra mundial envolvendo Estados Unidos e China. HOC apresenta quatro cenários históricos de competição entre grandes potências e conclui que, descartadas as hipóteses de um terceiro ator emergente e de uma transição pacífica (não há um 'Gorbachev chinês', e Xi Jinping é cada vez mais autoritário), resta o cenário de conflito — que ele considera inevitável em um horizonte de 3 a 10 anos. A conversa percorre a disputa monetária entre os dois países: por que a China não pode substituir o dólar sem abrir sua economia (o que ameaçaria o poder do Partido Comunista), o dilema de Triffin, o 'armamento' do dólar via sanções, e a estratégia chinesa de construir um sistema financeiro paralelo com três pilares (pool de recursos offshore, o CIPS como concorrente do SWIFT e o yuan digital). HOC também desmonta a narrativa dos BRICS, mostrando que o bloco não tem valores comuns, que 68% dos empréstimos de seu banco são em dólar e que o grupo serve sobretudo aos interesses da China. Na parte final, discutem a centralidade geopolítica de Taiwan (comparada a Cuba para os EUA), a nova rota da seda e a 'diplomacia da armadilha da dívida', os limites da lógica liberal de livre comércio quando ganhos relativos importam mais que ganhos absolutos, e o papel da inteligência artificial como possível inimigo maior que qualquer país — incluindo o cenário em que uma IA funda uma nova religião manipulando bilhões de pessoas pela linguagem.
“Essa é a minha leitura, eu tenho dito isso sempre: acho inevitável que a gente tenha esse conflito. Eu não acho que isso vai ser amanhã, mas varia de uns três talvez até 10 anos.”
“Num contexto e num ambiente de guerra, de competição estratégica, você está disposto a perder muito para fazer o seu rival ou inimigo perder mais ainda.”
“O banco dos BRICS não é BRICS, é o grupo da China.”
“Se você está defendendo o interesse da ideologia, você não está defendendo o interesse do Brasil.”
“A gente fala muito da rivalidade Estados Unidos e China, vai ter uma guerra, a Rússia com quem vai se juntar. Talvez o inimigo seja a inteligência artificial, não seja nenhum desses países.”
“Não é que ela vai controlar um robô para ir matar as pessoas, ela só vai criar uma religião como a história e aí os seres humanos vão se matar entre si.”