
#7326 de maio de 2022 · 1h39min
Aquilino Senra — Físico, professor e coordenador do programa de engenharia nuclear da COPPE-UFRJ e ex-presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB)
Ruy Alves — Gestor global macro da Kinea Investimentos, com MBA em Finanças pelo Ibmec e mestrado pela London Business School
5 livros, na ordem em que aparecem na conversa.

Fundação
citado por Bruno Perini
0:29
Dom Quixote
citado por Ruy Alves
5:07
Sapiens
citado por Bruno Perini
13:46O Que Se Vê e o Que Não Se Vê
citado por Bruno Perini
33:35
Cosmos
citado por Bruno Perini
1:29:51Energia é a base invisível de toda prosperidade humana: transições energéticas impostas de cima para baixo, sem respeitar a densidade e o custo real das fontes, podem gerar mais fome e desigualdade do que o próprio aquecimento global que pretendem combater.
Antes de investir em urânio ou em qualquer tese energética 'da moda', analise o balanço real de oferta e demanda da commodity e o tempo de maturação dos projetos — não compre por paixão narrativa, compare o preço atual com o necessário para viabilizar novas minas.
No episódio #73 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem o professor de engenharia nuclear Aquilino Senra (ex-presidente das Indústrias Nucleares do Brasil) e o gestor global macro Ruy Alves, da Kinea, para discutir o papel da energia nuclear no futuro energético mundial. A conversa começa com uma reflexão histórica sobre a relação entre energia e desenvolvimento humano: até cerca de 1750 o PIB per capita praticamente não crescia, e foi a densidade energética crescente — da biomassa ao carvão, petróleo e enfim à energia nuclear — que tirou bilhões de pessoas da pobreza. Ruy defende que os combustíveis fósseis foram injustamente demonizados e que transições energéticas impostas 'de cima para baixo' (como a alemã, após Fukushima) criam desindustrialização, dependência geopolítica da Rússia e risco de fome. Aquilino Senra detalha a segurança da tecnologia nuclear, explicando que em 65 anos e 445 usinas houve apenas três grandes acidentes (Three Mile Island, Chernobyl e Fukushima) e que nenhuma tecnologia tem risco zero — assim como aviões e automóveis. Ele destaca as aplicações não-elétricas da energia nuclear (medicina nuclear, agricultura, conservação de obras de arte) e aponta que o Brasil é um dos três países do mundo que têm matéria-prima, domínio tecnológico e uso da energia nuclear simultaneamente, com reservas em Caetité (BA) e Santa Quitéria (CE). Na parte de investimentos, Ruy faz um alerta contra a 'paixão' do investidor pessoa física pelo urânio, lembrando que o preço da commodity ainda não está economicamente atrativo o suficiente para viabilizar novas minas e que o movimento de alta é parte de um ciclo generalizado de commodities. Também são discutidos os problemas dos rejeitos radioativos, a proliferação de armas nucleares, os reatores modulares (SMR), o tório como combustível alternativo e a hipocrisia do ESG.
“Deixa eu te dizer que a energia está destruindo o planeta, mas deixa eu dizer que foi ela que criou esse planeta, essa sociedade que você conhece hoje. Tira energia, filha, e você não vai gostar muito da sociedade que vai aparecer depois disso.”
“Na geração de energia não tem santo, todo mundo é pecador. De alguma forma, uma ou outra fonte tem um impacto ambiental.”
“Não existe nenhuma aplicação tecnológica de risco zero. Se você fizer um avião que não cai, eu vou viajar com mais frequência do que eu viajo.”
“Você pode ser responsável pela fome de milhões de pessoas sem saber que você está sendo.”
“Nunca vi tanta gente apaixonada por urânio na minha vida. Toma cuidado quando tem paixão, analisa duas vezes.”
“Eu não sei como é que vai ser a terceira grande guerra, mas a quarta vai ser feita com paus e pedras.”