
#8611 de agosto de 2022 · 1h59min
Guilherme Cadonhotto — Sócio do Grupo Primo, especialista em renda fixa e estrategista da casa de análises Spiti, economista pela FGV e pela Nova School of Business and Economics
Fellipe Arrais — Analista CNPI, engenheiro mecatrônico, analista-chefe e especialista em investimentos globais e fundos de investimento da casa de análises Spiti
Não adianta escolher o ativo certo se você não aguenta carregá-lo: a maior parte dos cotistas do fundo do Peter Lynch perdeu dinheiro num fundo que rendeu 2.800% em 13 anos.
Antes de qualquer aporte, monte sua reserva de emergência e defina por escrito o horizonte e a volatilidade máxima que você aceita em cada classe de ativo da sua carteira.
No episódio 86 do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem os analistas Guilherme Cadonhotto (renda fixa e macro) e Fellipe Arrais (fundos e investimentos globais) para discutir onde estão as melhores oportunidades do mercado para o segundo semestre. A conversa começa pelo cenário macroeconômico: inflação recorde nos EUA e Europa, aperto monetário global, enfraquecimento da atividade econômica e a posição relativamente confortável do Brasil, que antecipou o ciclo de alta de juros e se beneficia dos preços elevados de commodities, atraindo fluxo de investidores estrangeiros para emergentes. Os convidados defendem que o Brasil hoje é 'a menina mais bonita da sala' entre os emergentes, com valuations descontados na bolsa e prêmios historicamente altos na renda fixa indexada à inflação. Discutem a dificuldade de prever câmbio, os fundamentos que determinam a moeda no longo prazo (termos de troca, diferencial de juros e de crescimento) e a importância de manter parte do patrimônio no exterior sem se obcecar pela cotação do dólar. Há consenso de que, lá fora, o caminho é asset allocation via ETFs (mercado muito eficiente), enquanto no Brasil o stock picking e a gestão ativa ainda geram excesso de retorno. O bloco final trata de psicologia do investidor: reserva de emergência, consciência da volatilidade e conhecimento do que se compra como os três pilares para não 'morrer na praia'. Falam sobre criptomoedas (Bitcoin como reserva de valor em percentual pequeno da carteira), histórias pessoais de erros com imóveis na planta e o episódio viral do áudio da avó de Bruno sobre a poupança.
“Eu costumo dizer que a taxa de juros é uma cordinha em volta do pescoço de um burrinho. Se você dá mais cordinha, ou seja, se você abaixa o juro, ele tende a andar mais rápido.”
“A taxa de juros está para o preço dos ativos assim como a gravidade está para a matéria.”
“Uma nota de 100 reais largada numa calçada no mercado brasileiro fica lá mais tempo. Se for na calçada da Times Square, a nota não fica lá nem um segundo.”
“Meu filho, não mexe, porque a poupança não rende nada.”
“Se você investe e perde dinheiro sem saber como, você se traumatiza e vai levar anos para investir de novo.”
“Vocês nunca vão comprar nas mínimas e nunca vão vender nas máximas. Nem o Peter Lynch, nem o Buffett, nem o Stuhlberger.”