
#9704 de outubro de 2022 · 1h03min
Arturo Profili — Sócio-fundador e gestor da Capitânia Investimentos, responsável pela gestão de quase R$ 30 bilhões em ativos de crédito, renda fixa, imobiliário e infraestrutura.
Em renda fixa, o retorno é limitado para cima mas a perda é total: por isso o que você decide NÃO comprar importa mais do que o que você compra.
Revise hoje a taxa de administração e a taxa de carregamento da sua previdência privada — se ela cobra 3% a 4% ao ano ou taxa de entrada, simule a portabilidade para uma previdência de gestora independente.
Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Arturo Profili, sócio-fundador da Capitânia Investimentos, gestora com cerca de R$ 27 bilhões sob gestão e 20 anos de atuação em crédito privado, renda fixa, imobiliário e infraestrutura. A conversa integra a série de entrevistas com gestores que estarão na carteira do fundo de previdência Arca, no qual dois fundos da Capitânia (Premium 45 e Top Renda Fixa) ocuparão 8% e 5% da alocação global. Arturo conta a origem da gestora — nascida da saída de um banco americano do Brasil — e como a casa foi se especializando em debêntures, FIDCs, CRIs, CRAs e fundos imobiliários, saindo de R$ 3 bi para R$ 27 bi nos últimos cinco anos, com desembolso anual de R$ 10 bi em cerca de 80 a 100 transações. Ele explica em detalhe o funcionamento dos FIDCs (cotas sênior e subordinada, categorias como consignado, cartão, consórcio e recarga de celular) e defende que em renda fixa evitar o erro é mais importante do que acertar, já que um calote pode anular todo o ganho da carteira. O papo passa pelo cenário macro (Selic a 13,75%, spreads de crédito que se mantêm mesmo com juros em queda, NTN-Bs acima de IPCA+6 atraindo fundos de pensão), pela crítica às previdências de bancões com taxas de administração de 3-4% e taxa de carregamento de 5%, e pela filosofia de seleção da Capitânia: só comprar o que seja revendível a terceiros, limitar posições sofisticadas a 0,25%-0,5% do fundo e fugir de empresas com governança duvidosa — de mil transações, apenas quatro deram problema sério, quase sempre por litígio judicial.
“O importante talvez não tenham sido nem as transações que a gente investiu, mas as que a gente analisou e falou: olha, nesta eu não vou alocar capital, porque evitar erro é bastante importante no desempenho de longo prazo.”
“Se você emprestar mal, selecionar mal as pessoas que vão tomar esse dinheiro emprestado, colocar muita gente arriscada para pagar essa taxa de juros, você vai perder dinheiro.”
“Nossa carteira hoje tem 300 papéis e a gente diariamente mede a febre dos pacientes, vê se cada transação está direitinha ou não.”
“Você quer comprar a Miss Paraná antes de ela virar a Miss Brasil.”
“As companhias seguradoras são algumas das empresas mais conservadoras que existem e elas vendem seguro de vida para pessoas que vão morrer.”
“A transação que vai mal, ela dá o trabalho de 50 transações que vão bem.”