
#15105 de setembro de 2023 · 1h35min
Fabio Fares — Com mais de 25 anos de mercado financeiro, atuou como broker institucional no Brasil e EUA (BTG Pactual, C6 Bank, BGC); especialista em macro, dólar e investimentos no exterior, professor do Viver de Renda
Alexandre Cabral — Economista formado pela UFRJ, especialista em mercado financeiro e professor de derivativos há mais de 20 anos na B3
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Grande Aposta
citado por Fabio Fares
56:17A Psicologia Financeira
citado por Bruno Perini
1:29:03Crise não é para ser prevista, é para ser aproveitada: o que separa o investidor que prospera do que quebra não é o conhecimento técnico, é o estômago para seguir o plano quando o mercado desaba.
Defina hoje um prazo e divida seu aporte em parcelas (engenharia reversa até a data), em vez de aplicar tudo de uma vez ou esperar o 'momento certo' — e deixe o caixa estacionado em renda fixa de liquidez diária enquanto estuda sua alocação.
No episódio 151 de Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Fabio Fares e Alexandre Cabral para discutir se uma nova crise mundial está a caminho e como o investidor pessoa física pode se proteger. Os convidados argumentam que, ao contrário de 'achismo', os indicadores macroeconômicos (PMIs de Europa, EUA e China, dívida de cartão de crédito americana acima de US$ 1 trilhão, juros saindo de zero para 5,5% nos EUA) já apontam para uma Europa em recessão e rachaduras evidentes na economia real americana, mascaradas por um mercado de trabalho ainda aquecido e pela euforia com inteligência artificial. A conversa detalha por que as bolsas não caem apesar desse cenário: o S&P e o Nasdaq são carregados por sete grandes empresas de tecnologia (Apple, Microsoft, NVIDIA, Google, Amazon, Meta e Tesla) que, excluídas do cálculo, deixam o índice praticamente zerado no ano. Os convidados também discutem o risco remanescente dos bancos médios americanos sem regras rígidas de Basileia e marcação a mercado, a incógnita chinesa e seus efeitos sobre a bolsa brasileira, o impacto do petróleo acima de US$ 90 na inflação e a venda de treasuries por China e árabes. Na parte prática, o foco é comportamento: nenhum dos participantes defende sair do mercado. Fares recomenda 'estômago time' em vez de market timing — fatiar aportes conforme o conforto psicológico, estacionar em renda fixa americana de liquidez diária enquanto se estuda, e aproveitar o dólar barato. Cabral descreve seu método de 'caixinhas' (renda fixa local, ações, fundos imobiliários, renda fixa e ações no exterior), defendendo recorrência e concentração inicial em poucos ativos. Alerta-se ainda para a troca de diretores do Banco Central brasileiro e seu efeito na curva longa de juros.
“Ninguém aqui tá vindo com chute, achômetro, ou porque viu num livro, ou porque a vidente falou. Quando você olha os indicadores macroeconômicos, a gente vê que o mundo tá voltando para uma realidade de juros altos, inflação mais alta e um povo extremamente endividado.”
“O endividado precisa que tudo dê sorte. Os Estados Unidos hoje precisa que o petróleo fique abaixo de 85, que a inflação continue caindo, que não precise mais subir juros, porque ele tá na tempestade perfeita.”
“A mentalidade da pessoa física não é para ter medo da crise, mas saber agir na crise, porque lá que aparecem as grandes oportunidades.”
“Eu não digo market timing, mas eu sou a favor do estômago time. A pessoa física tem muita dificuldade para lidar com risco porque não conhece o mercado como a gente conhece.”
“Se a bolsa quebrar, acabou o Brasil, maluco. Imagina, a bolsa brasileira vale zero é porque a Vale vale zero, é porque o Bradesco vale zero.”