
#1122 de abril de 2021 · 1h06min
João Kepler — CEO da Bossa Nova Investimentos, escritor, conferencista e investidor anjo há mais de 12 anos, com 754 investimentos em startups do Brasil e do mundo
Aline Lefault — Fundadora e CEO da Lilu, startup de serviços pet a domicílio; doutora em química, ex-gerente de áreas tecnológicas no Cimatec
No investimento anjo você não aposta no cavalo, aposta no jóquei: o negócio pode pivotar, mas o perfil do empreendedor é o que não muda — e por isso o problema que ele resolve importa mais do que a promessa de bilhões.
Antes de buscar investimento ou abrir qualquer negócio, escreva em uma frase qual dor real de mercado você resolve — e teste essa dor conversando com pessoas que a sintam, como Aline fez se cadastrando na Singu para entender o modelo por dentro.
Neste episódio do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem João Kepler, CEO da Bossa Nova Investimentos e um dos maiores investidores anjo do Brasil, e Aline Lefault, fundadora e CEO da Lilu, startup de serviços pet a domicílio. A conversa começa explicando o que é uma startup — uma empresa com modelo de negócio escalável, que cresce faturamento sem crescer despesa de forma proporcional — e segue pela jornada de Aline: doutora em química, ela identificou uma dor pessoal (dificuldade de levar o pet ao banho), se cadastrou na Singu para entender o modelo por dentro, passou por aceleração no Startup SP do Sebrae e fez mais de 100 pitches sem receber um único sim antes de conseguir sua primeira rodada com a Bossa Nova. O episódio detalha os termos do mercado: valuation, equity, cap table, CAC, smart money, pitch, bootstrap e as etapas de captação (anjo, pre-seed, seed, séries A, B, C até o IPO). João explica por que não deu o cheque de R$ 1 milhão que Aline pediu num valuation de R$ 5 milhões — fecharam em R$ 200 mil num valuation de R$ 3 milhões — argumentando que excesso de capital cedo demais estraga o negócio. Bruno conta sua própria experiência como investidor anjo no Biscoint, onde entrou com R$ 250 mil por 5% e viu a empresa saltar de R$ 5 milhões para R$ 26,6 milhões de valuation em menos de um ano. Na parte final, discutem riscos e acesso: João defende no máximo 10% do capital disponível em startups, apresenta o modelo de CCB (cédula de crédito bancário) da Bossa Nova que garante o principal mais 2,75% ao ano com upside dos eventos de liquidez, e dá as duas dicas centrais — investir no segmento que você conhece e 'colar em quem sabe'. Aline encerra aconselhando empreendedores a encontrarem um bom problema de mercado antes de qualquer coisa.
“Em 2020 saiu até uma matéria no Estadão minha, eu fiz mais de 100 pitches para investidores tradicionais e não fui investida por nenhum.”
“Aqui, nesse game, a gente investe no jóquei e não no cavalo. O cavalo é a Lilu, o jóquei é a Aline. Porque a Aline, ela não muda.”
“Às vezes dinheiro demais estraga o negócio. E o empreendedor às vezes pede muito dinheiro e estraga o negócio.”
“Basta acertar grande uma única vez que você pode ter errado 13.999 vezes que vai compensar ainda.”
“Não pode se apaixonar pelo negócio, você se lascou. Você tem que se apaixonar pelo problema que você resolve.”
“O caminho do equity é assim: você é pobre, pobre, pobre até uma hora que você fica milionário, multimilionário de uma vez só vendendo uma parte da empresa.”