
#12309 de março de 2023 · 1h38min
Tabata Amaral — Deputada federal por São Paulo, formada em Ciência Política e Astrofísica por Harvard, ativista pela educação e cofundadora do Projeto Voa e do Mapa Educação
Toque no livro pra ver o que foi dito, ou no minuto pra ouvir.
21 Lições para o Século 21
citado por Bruno Perini
28:30O debate relevante não é "Estado mínimo ou Estado máximo", mas onde o Estado precisa ser menor (privilégios e supersalários) e onde precisa ser maior (periferias sem saneamento, água e escola) — política pública se julga pelo chão da vida, não por ideologia.
Entre no site Tesouro Transparente e olhe para onde vai o dinheiro que o Brasil arrecada: compare quanto se gasta com previdência e quanto se investe por aluno na educação antes de formar opinião sobre carga tributária.
Neste episódio nº 123 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem a deputada federal Tabata Amaral para discutir qual deve ser o limite do Estado. Tabata começa contando sua trajetória: filha de nordestinos criada na periferia da zona sul de São Paulo, pai cobrador de ônibus e dependente químico, mãe diarista, teve a vida transformada pela Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), que lhe rendeu bolsa em escola particular e, mais tarde, uma vaga em Harvard, onde estudou astrofísica e migrou para Ciência Política por causa do interesse em educação pública. A conversa se concentra no equilíbrio entre Estado e mercado. Tabata se define como centro-esquerda, defende um "Estado eficiente" (nem mínimo nem inchado) e argumenta, citando Chico Bosco, que o Brasil precisa ao mesmo tempo de mais socialismo e mais liberalismo — menos privilégios e supersalários, mais presença nas periferias. Ela defende a renda básica universal como horizonte, explicando que substituiria políticas ineficientes e devolveria liberdade de escolha às pessoas, mas mantém educação, saúde e segurança como responsabilidades inegociáveis do Estado. Discute ainda reforma tributária progressiva, tributação de herança e de lucros e dividendos, e a distorção de o Brasil tributar muito mais consumo que renda. Na parte final, Tabata detalha suas prioridades para a educação (recuperação da aprendizagem, combate à evasão, ensino técnico, escola em tempo integral e o modelo de Sobral), explica por que votou a favor da privatização dos Correios e contra a da Eletrobras, defende a independência do Banco Central e fala do custo pessoal da política — ameaças de morte, machismo e cancelamentos —, encerrando com um relato otimista sobre o que conseguiu aprovar como deputada independente.
“Para mim não existe falsa ou verdadeira falta de esforço que justifica a miséria.”
“O Brasil precisa ao mesmo tempo de mais socialismo e mais liberalismo.”
“Acho que a coisa mais respeitosa que a gente pode fazer é respeitar a liberdade de escolha da pessoa.”
“O problema é que a gente arrecada proporcionalmente muito mais do lado mais pobre do que do lado mais rico.”
“Uma coisa é crítica política, outra coisa é a incitação descarada de ódio contra você porque você pensa diferente, porque você é mulher, porque você é jovem.”
“Vocês iriam querer que o CEO da empresa de vocês fosse escolhido pelo vereador local?”