
#12207 de março de 2023 · 2h22min
Clóvis de Barros Filho — Filósofo e professor, graduado em Filosofia pela USP, livre-docente pela ECA-USP, sócio fundador do Espaço Ética, host do podcast Inédita Pamonha e autor de mais de 30 obras
19 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Vida que Vale a Pena Ser Vivida
citado por Bruno Perini
5:40
História da Sexualidade
citado por Clóvis de Barros Filho
11:05A Verdade e as Formas Jurídicas
citado por Clóvis de Barros Filho
11:11
Assim Falou Zaratustra
citado por Clóvis de Barros Filho
14:16
Crepúsculo dos Ídolos
citado por Clóvis de Barros Filho
21:52Por que não somos nietzschianos
citado por Clóvis de Barros Filho
39:40O Corvo
citado por Clóvis de Barros Filho
1:04:49Nietzsche e a linguagem
citado por Clóvis de Barros Filho
1:06:03
O Conde de Monte Cristo
citado por Bruno Perini
1:15:28
A Gaia Ciência
citado por Bruno Perini
1:16:19A Parte do Diabo
citado por Clóvis de Barros Filho
1:41:04
Genealogia da Moral
citado por Clóvis de Barros Filho
1:49:01
A Lógica do Cisne Negro
citado por Bruno Perini
1:54:34Nietzsche, o rebelde aristocrata
citado por Clóvis de Barros Filho
2:11:04O que é uma vida bem sucedida
citado por Clóvis de Barros Filho
2:11:20Aprender a viver
citado por Clóvis de Barros Filho
2:11:46Inédita Pamonha
citado por Clóvis de Barros Filho
2:13:58Epaminondas, o Gato Explicador
citado por Clóvis de Barros Filho
2:14:49Reinventar-se
citado por Clóvis de Barros Filho
2:16:19A vida boa não se mede por comparação, ideal ou número de views, mas pela vontade de que aquele instante se repita — é o Eterno Retorno como régua da vida dada pela própria vida.
Pegue um momento qualquer do seu dia de hoje e pergunte: eu gostaria que este instante se repetisse infinitamente? Use a resposta como critério para decidir onde alocar seu tempo, em vez de medir sua vida por métricas externas.
No episódio 122 do Os Sócios Podcast, Bruno e Malu Perini recebem pela segunda vez o professor Clóvis de Barros Filho, desta vez para destrinchar a filosofia de Friedrich Nietzsche. Clóvis explica por que Nietzsche é um autor difícil — escreve por aforismos, sem didática, sem notas de rodapé — e oferece algumas 'chaves' indispensáveis para entrar em sua obra, começando pela inversão do conceito de niilismo: para Nietzsche, niilista é quem rebaixa as forças vitais, as sensações e o 'baixo ventre' em nome de ideais transcendentes. Nessa lógica, Platão, o cristianismo, o socialismo, a democracia, os direitos humanos e até a ciência aparecem como manifestações niilistas — ressalva feita, com insistência, de que se trata do pensamento do autor e não da opinião pessoal do professor. A conversa avança para o 'Deus está morto' (a falência dos modelos absolutos de julgar a vida), o Eterno Retorno como régua imanente de avaliação da existência (a vida é boa quando você deseja que aquele instante se repita indefinidamente), a vontade de verdade como 'freio de mão' e 'muleta metafísica' contra o fluxo do mundo, o amor fati e o super-homem — este entendido não como o 'fodão cheio de certezas', mas como quem vive despojado de muletas, inclusive da própria identidade. Clóvis também discute as forças ativas e reativas: o artista e o burocrata, Schumacher e o sindicato que muda as regras, o professor que grita e os colegas que criam limites de decibéis. Reconhece-se 'reativo de carteirinha' até descobrir, num seminário escolar aos 8 anos de escola, sua forma de manifestar potência: explicar. Ao final, faz ponderações críticas ao amor fati — não consegue amar o racismo, a miséria, a violência sexual — e recomenda leituras e comentadores para quem quiser seguir adiante.
“Quando é que a vida é boa? Quando você não veria nenhum problema em repetir.”
“A verdade é um freio de mão. O mundo pode seguir seu fluxo, mas a verdade é essa.”
“Na hora de atribuir valor negativo à vida, costumamos nos defender colocando a vida no seu lugar, e costumamos julgar os outros tirando a vida do seu lugar e atribuindo uma espécie de essência.”
“Eu posso entender perfeitamente o que Nietzsche propõe, mas talvez por isso a minha vida seja ruim. E se ele quiser chamar minha vida de fracassada, fica à vontade.”
“O super-homem nada tem a ver com o fodão cheio de certezas, justamente o contrário. Ele nada tem a ver com superpoderes, senão uma competência existencial de viver a vida na vida.”
“Tem coisas que passam pela tua vida, dá na mesma. Mas alguém como Espinosa, Kant, Nietzsche, não tem como fingir que não percebeu.”