
#11809 de fevereiro de 2023 · 2h20min
Oliver Stuenkel — Professor e pesquisador de relações internacionais da FGV, autor de 'Mundo Pós-Ocidental' e 'BRICS e o Futuro da Ordem Global', colunista do Estadão e da Americas Quarterly
7 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
A Desestatização do Dinheiro
citado por Bruno Perini
11:48Mundo Pós-Ocidental
citado por Bruno Perini
12:24BRICS e o Futuro da Ordem Global
citado por Bruno Perini
12:31Armas, Germes e Aço
citado por Bruno Perini
13:59
A Arte da Guerra
citado por Bruno Perini
25:23O Fim da História e o Último Homem
citado por Oliver Stuenkel
1:16:00Princípios para a Ordem Mundial em Mudança
citado por Bruno Perini
1:53:48Concentração extrema de poder em uma só pessoa mata a inovação — foi assim que a China perdeu a liderança global há séculos, e é exatamente o risco que ela corre de novo hoje.
Reavalie sua carteira considerando o risco geopolítico: diversifique em diferentes ativos, moedas e países em vez de depender de uma única economia (ou da previdência social) para o seu futuro.
No episódio 118 do Os Sócios Podcast, Bruno Perini e Malu Perini recebem pela quarta vez o professor de relações internacionais da FGV Oliver Stuenkel para discutir o que está acontecendo na China. A conversa começa com um panorama histórico: durante a maior parte da história humana a economia global foi asiacêntrica, e a China só deixou de ser a maior economia do mundo há cerca de 250 anos. Stuenkel argumenta que a decisão de não explorar os mares, somada à arrogância cultural e à extrema concentração de poder em uma única figura, travou a inovação e abriu caminho para o 'século da humilhação' marcado pelas guerras do ópio. No presente, o episódio analisa os efeitos da política de Covid zero, a reabertura caótica, a queda populacional (a China começou a perder cerca de 850 mil pessoas por ano) e os legados da política do filho único, que criou um desequilíbrio demográfico e uma pressão enorme sobre as novas gerações. Stuenkel explica que o governo chinês mantém legitimidade entregando crescimento e bem-estar, e que a desaceleração para 3–4% ao ano gera uma reversão de expectativas potencialmente explosiva — embora ele não veja sinais de colapso do regime. A segunda metade é dedicada à nova Guerra Fria entre EUA e China: a 'cortina de ferro digital' nos semicondutores, o episódio do balão espião, a fragmentação das cadeias globais de produção e, sobretudo, Taiwan. Stuenkel estima em mais de 50% a chance de algum tipo de conflito nos próximos dez anos, provavelmente não nos moldes convencionais da Ucrânia, mas via ciberataques, bloqueios ou acidentes. Fecha-se com a Nova Rota da Seda como projeto geopolítico chinês de atrair países em desenvolvimento para que, no mínimo, não fiquem do lado americano.
“Eu acho que ninguém é brilhante o suficiente para justificar que se concentre todo poder em uma pessoa só.”
“Se passa 10 anos estudando a China você vai saber muito menos do que se você passa três anos estudando os Estados Unidos, porque é uma sociedade totalmente aberta.”
“A gente está começando a ter uma cortina de ferro digital, que do ponto de vista econômico é a coisa mais burra do mundo.”
“A chance de haver algum tipo de conflito nos próximos 10 anos é maior do que 50%.”
“Se a China fica mais pobre, nós ficaremos mais pobres também.”
“Nos últimos 30 anos a população brasileira cresceu 70%. Nos próximos 30 crescerá zero, e a única faixa que vai estar crescendo é a das pessoas com mais de 60 anos.”