
#15528 de setembro de 2023 · 2h01min
Sergio Sacani — Geofísico pela USP, doutor em geociências pela Unicamp, divulgador científico e criador do Space Today, maior canal de astronomia do Brasil, e host do podcast Ciência Sem Fim
8 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
O Prometeu Americano
citado por Sergio Sacani
6:55
Lectures on Physics
citado por Sergio Sacani
14:38
O Conde de Monte Cristo
citado por Bruno Perini
43:46
Cosmos
citado por Bruno Perini
43:58Superinteligência
citado por Bruno Perini
1:19:54
Ilíada
citado por Bruno Perini
1:22:00
Fundação
citado por Bruno Perini
1:48:44
Declínio e Queda do Império Romano
citado por Bruno Perini
1:49:09Tecnologias transformadoras surgem independentemente da vontade de quem as cria — o que realmente importa é em que mãos elas nascem e se existe espaço para o debate ético antes do uso.
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No episódio 155 do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Sergio Sacani, geofísico e criador do canal Space Today, para conversar sobre o filme Oppenheimer, o Projeto Manhattan e a criação da bomba atômica. Sacani, que leu a biografia 'Oppenheimer: O Prometeu Americano' antes do lançamento do filme, explica os bastidores históricos: por que Oppenheimer, apesar de jovem e de ser um teórico avesso a laboratório, foi escolhido para liderar o projeto (era o único capaz de gerenciar cientistas egocêntricos e militares), por que a Alemanha nazista não chegou primeiro à bomba (fuga dos físicos judeus, 'física ariana' e o custo da guerra) e como o projeto consumiu cerca de 2 bilhões de dólares da época — equivalentes a mais de 20 bilhões hoje, o maior investimento científico até então. A conversa avança para as implicações geopolíticas e éticas: a segunda bomba, em Nagasaki, como aviso à União Soviética; a espionagem cruzada durante a Segunda Guerra; o papel dissuasório das armas nucleares hoje (os nove países nucleares, o caso da Ucrânia que devolveu o arsenal em troca de garantias, Coreia do Norte, Irã e Israel); e o debate sobre se é 'melhor' que a tecnologia tenha nascido numa democracia, onde existe debate aberto, do que nas mãos de um ditador. Discutem também a falácia da janela quebrada aplicada à guerra: quantos Einsteins foram perdidos em campos de concentração e frentes de batalha. Na reta final, o trio fala de física quântica e suas aplicações (efeito fotoelétrico, entrelaçamento quântico e o futuro da computação quântica), inteligência artificial — Sacani, que trabalha com IA desde 2007, é otimista e dá dicas práticas de ferramentas como ChatPDF e SciSpace —, a 'astropolítica' e a corrida pelo Hélio-3 na Lua como chave da fusão nuclear, além do acidente de Alcântara em 2003 e o atraso do programa espacial brasileiro em comparação com a Índia.
“O nazismo não conseguiu fazer a bomba atômica por conta do próprio nazismo.”
“Na minha opinião, nada é tão complexo quanto lidar com pessoas.”
“Aviação é fácil, eu te ensino. O difícil são pessoas.”
“Nenhum homem é melhor do que uma máquina, mas nenhuma máquina é melhor do que um homem usando uma máquina.”
“Muitos países têm a lua na bandeira. Poucos países têm a bandeira na lua.”
“Eles calcularam a altura certa para matar o maior número de pessoas possíveis.”