
#3002 de setembro de 2021 · 1h38min
Charles Wics — Economista de formação com mais de 20 anos de mercado financeiro, criador do canal Economista Sincero
Rudá Pellini — Empreendedor desde os 14 anos, cofundador e responsável por novos negócios da Fintech We Trust e autor do livro 'O Futuro do Dinheiro'
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
O Futuro do Dinheiro
citado por Bruno Perini
0:27A Desestatização do Dinheiro
citado por Bruno Perini
16:29O Que o Governo Fez com o Nosso Dinheiro
citado por Bruno Perini
23:28Arriscando a Própria Pele
citado por Bruno Perini
54:02Tecnologia melhor não vence sozinha: cripto só substituirá o dinheiro estatal quando for tão simples quanto o Pix — a batalha real é de comportamento e usabilidade, não de argumento.
Defina hoje uma exposição pequena e consciente a criptomoedas (algo como 2% do patrimônio) e, antes de comprar, invista um fim de semana estudando — chegando até a terceira ou quarta página da pesquisa, sem confiar em indicação de conhecido.
No 30º episódio do podcast Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Charles Wics (canal Economista Sincero) e Rudá Pellini (autor de 'O Futuro do Dinheiro') para discutir a evolução e o futuro do dinheiro. A conversa começa pela origem natural da moeda — do escambo ao sal e aos metais preciosos — passa pelo fim do lastro em ouro em 1971 e chega ao diagnóstico atual: nenhuma moeda do mundo tem lastro, e cerca de 25% de todos os dólares em circulação foram criados nos últimos nove meses do período analisado. O debate central gira em torno de quando (e se) as criptomoedas serão adotadas em massa. Charles, que se define como o mais crítico do ecossistema cripto apesar de entusiasta, argumenta que a barreira é comportamental e de usabilidade: relata experiências frustradas tentando sacar bitcoin em caixa eletrônico na Argentina e comprar numa banca de jornal na Paulista. Para ele, só haverá virada quando pagar com cripto for tão fácil quanto usar o Pix — que, aliás, educou os brasileiros sobre chaves e transações instantâneas. Rudá traz a curva de difusão da inovação, dados de adoção comparados à internet dos anos 1990 e defende que a entrada de bancos, ETFs e bilionários torna a proibição cada vez mais improvável. O episódio ainda explora tokenização de ativos, fan tokens (casos PSG, Atlético Mineiro e o salário do Messi), moedas privadas emitidas por empresas e comunidades, o conceito de CBDCs, reservas fracionárias bancárias e o cenário de longo prazo em que o dinheiro estatal perde espaço — não necessariamente num futuro otimista, mas num futuro de grande incerteza monetária e política. O recado final dos convidados é de prudência: fazer a própria pesquisa, não acreditar em almoço grátis e manter exposição compatível com a própria tolerância à volatilidade.
“Eu acho que a gente fica comparando banana com laranja e não dá o mesmo peso. Eu nunca tento convencer o cara que é extremamente agressivo contra criptomoeda.”
“Ele disse que o dinheiro é a única ficção na qual todos acreditam.”
“Eu falo há três anos a mesma coisa: não é nenhuma recomendação, mas é uma insanidade não ter nada de nada.”
“Não adianta chegar na banca de jornal, ter que instalar máquina, no caixa eletrônico ligar para empresa. Isso não funciona no dia a dia.”
“O que eu vejo é: não é um futuro otimista, é um futuro muito incerto.”
“Hoje é só excêntrico rico. O que era maluco em 2017 hoje é só excêntrico rico.”