
#3721 de outubro de 2021 · 1h45min
Fabiano Cintra — Especialista em fundos de investimento internacionais e alternativos da XP Inc., com mais de 10 anos de mercado financeiro
Oliver Stuenkel — Professor e pesquisador de relações internacionais da FGV, autor de livros sobre BRICS e ordem global
4 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
BRICS e o Futuro da Ordem Global
citado por Bruno Perini
0:52Mundo Pós-Ocidental
citado por Bruno Perini
0:54O Poder da China
citado por Fabiano Cintra
3:09
A Arte da Guerra
citado por Bruno Perini
58:47A China deixou de ser um ativo exótico para virar item de cesta básica de qualquer carteira — ignorá-la por discordar do seu modelo político não é uma decisão racional de investimento.
Inclua um artigo por semana sobre China na sua dieta de leitura e avalie expor uma parcela do portfólio ao país via ETF na bolsa brasileira (XINA11, a partir de R$10) ou fundos de gestão ativa, sempre dimensionando o risco político e regulatório.
Bruno e Malu Perini recebem Fabiano Cintra, especialista em fundos internacionais da XP, e Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV, para destrinchar a ascensão econômica da China. A conversa começa no passado recente: um país rural e paupérrimo que, a partir das reformas de Deng Xiaoping nos anos 1980, saltou da oitava para a segunda maior economia do mundo, com a renda per capita indo de 800 para 10 mil dólares e a pobreza extrema caindo de 88% para menos de 2% da população. Discute-se se isso é 'socialismo que deu certo' — e os convidados argumentam que os elementos que explicam o milagre são claramente capitalistas, dentro de um Estado de partido único extremamente centralizador. O episódio detalha o 'acordo implícito' entre Partido Comunista e população (abrir mão de direitos políticos em troca de avanço econômico), o pragmatismo do planejamento de longo prazo e dos planos quinquenais, as zonas econômicas especiais usadas como laboratório de reformas, e os temas proibidos — Taiwan, Tibete e Tiananmen. Fabiano mostra a virada do atual plano quinquenal: de crescimento por quantidade para qualidade, com foco em inovação, serviços, demanda interna e meio ambiente, apontando que a China já concentra 35% dos unicórnios globais e lidera em fintechs. Na parte de riscos, falam da crise da Evergrande e da possível bolha imobiliária (60% do patrimônio das famílias chinesas está em imóveis), das intervenções regulatórias em educação, games e big techs, do risco de governança para o investidor, da questão ambiental e ESG, da repressão em Xinjiang e Hong Kong, e do grande gargalo futuro: o desequilíbrio demográfico causado pela política do filho único. Encerram com o impacto disso tudo no Brasil — dependente da China como principal parceiro comercial — e com caminhos práticos para o investidor brasileiro se expor ao país (ETF XINA11, fundos passivos e fundos ativos de gestoras globais).
“O acordo implícito que o Partido Comunista oferece ao cidadão chinês é: você me dá seus direitos políticos, você não vai ter direitos políticos, mas eu te dou muitos direitos econômicos.”
“Geralmente quem ganha no longo prazo não é o mais forte, não é o mais inteligente. É o mais adaptável.”
“Um bater de asas da borboleta lá na China pode gerar um terremoto em vários lugares do mundo, porque o nível de integração é enorme.”
“A China deixou de ser um ativo exótico, investimento exótico, passou a ser um item de cesta básica. Quem não tem China no radar, tá dormindo no ponto.”
“Em três anos eles consumiram mais cimento do que os Estados Unidos em todo o século XX.”
“De certa maneira a volta da China para o centro econômico é o normal.”