
#14710 de agosto de 2023 · 1h44min
Murilo Freiberger — Membro da equipe de gestão e análise da Dahlia Capital, com mais de 18 anos de mercado financeiro, administrador pela FEA-USP e classificado desde 2013 entre os melhores analistas pelo Institutional Investor
Mauricio Fernandes — Membro da equipe de gestão da Dahlia Capital, com mais de 24 anos de mercado financeiro, atua no setor de Telecom, mídia e tecnologia, economista pela FEA-USP
2 livros, na ordem em que aparecem na conversa.
Oportunidades Disfarçadas
citado por Bruno Perini
5:09Superinteligência
citado por Bruno Perini
49:11A soberania de uma nação hoje depende de quão avançado é o semicondutor a que ela tem acesso — e como ninguém consegue reproduzir a cadeia inteira sozinho, essa interdependência virou o "escudo de silício" que protege o mundo de um conflito entre as duas maiores potências.
Monte uma exposição estrutural de longo prazo ao mercado americano de tecnologia — seja escolhendo empresas da cadeia de semicondutores, seja simplesmente comprando um ETF de S&P 500, como sugerem os gestores para quem não quer estudar caso a caso.
No episódio 147 do Os Sócios, Bruno e Malu Perini recebem Murilo Freiberger e Mauricio Fernandes, da Dahlia Capital, para destrinchar o mundo dos semicondutores — chamados de "petróleo do século 21". Os gestores explicam o que é um semicondutor, por que sua fabricação é provavelmente o processo industrial mais complexo já criado pelo homem (máquinas de litografia da ASML que exigem quatro Boeings para transporte, transistores separados por três nanômetros) e por que apenas duas empresas no mundo — TSMC e Samsung — conseguem imprimir chips de ponta, com a taiwanesa detendo 85% a 90% desse mercado. A conversa avança para a geopolítica: por que Estados Unidos e China disputam essa cadeia, o conceito de "escudo de silício" que protege Taiwan de uma invasão, as restrições americanas à venda de equipamentos e mão de obra para a China, e os esforços dos EUA para trazer a fabricação de volta ao Ocidente. Os convidados estimam, a partir de conversas com Baidu e Alibaba em Hong Kong, que os EUA estão 18 a 24 meses à frente da China nos modelos fundamentais de IA, e mostram que o investimento americano em capacidade de processamento é uma ordem de magnitude maior. Na última parte, discutem riscos existenciais da inteligência artificial (a necessidade de "incutir dúvida" nos modelos, o botão vermelho, a importância das instituições) e como investir no tema: empresas fornecedoras da matéria-prima e dos equipamentos, as big techs americanas que dominam a tecnologia, e a terceira derivada — setores que serão transformados, como seguradoras, real estate, call centers e saúde preditiva. Reconhecem que o Brasil tem universo de tecnologia na bolsa muito limitado, mas que hoje está taticamente mais pesado em Brasil por valuation.
“Em 2020, pela primeira vez desde a abertura econômica, o produto mais importado na China não foi petróleo, foi semicondutor.”
“O seu cabelo cresce um, dois nanômetros por segundo. Então em dois segundos o seu cabelo já cresceu mais do que o espaço de um transistor para outro.”
“A soberania de um país, a segurança de um país, depende de quão avançado é o semicondutor que ele tem disponibilidade para usar nos equipamentos dele.”
“Quem não tem medo de que isso aconteça ainda não conhece direito a tecnologia. Você tem que ter medo de que isso possa acontecer.”
“Perguntaram para ele o que ele achava do iPhone. Ele riu e falou: cara, isso é um produto de nicho, ele nunca vai ter mais do que 2% de market share.”
“O que a gente vai fazer nessa próxima revolução é tornar a inteligência muito mais barata e muito mais acessível para o mundo inteiro.”